segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Opinião - A Jaguaribara de Hoje

Posted at  segunda-feira, fevereiro 16, 2015  |  in  

"[...] O lugar onde eu deveria estar morando estar sob águas que sobem e dessem embaladas pelas rajadas do vento. [...]"
 Poderia expressar a simplicidade da “Terra da Luz”, da vivência em um lugar arrojado que exige muito mais que bravura ou da encantadora hospitalidade do Ceará. Mas, optei por escrever sobre os inconvenientes fatos que deprimem ao lugarzinho entusiasmado que vivo, fruto de uma história fascinante que hoje estar sendo ofuscada por várias atribulações. 

 O desemprego desponta como um dos principais problemas da pitoresca Jaguaribara, onde muitos deslembram de estudar e não cogitam raciocinar sobre o futuro profissional que estará por vim. A criminalidade assola a região onde eu moro, e faz com que as pessoas fiquem tremulas de preocupação. Eu, por exemplo, já presenciei muitos assassinatos e vim colegas de escola serem velados por causa do terrível tráfico de drogas. Minha região fica pontuada no meio de uma área muito alvoroçada, onde há muita coisa vadiada, descontinua e desleal. Não é licito ver pessoas em grandes filas em meu pacato hospitalzinho; muitos retornam ao lar sem remédio, pois não havia mais. A fumaça, proveniente da queima de lixo, é uma vilã nas minhas noites: onde o céu sombrio fica cinzento, sem estrelas para simpatizar. É triste saber que um grande número de pessoas não tem com que saciar a fome, e nem mesmo um teto para repousar e uma escola pra estudar. Ah! O que falar de minha escola? Um lugarzinho trivial, alicerce modesto, professores postulando seus direitos, livros empoeirados em grandes estantes e alunos duelando em rixas no intervalo. Mas, minha escola é um lugar extraordinário... É lá onde aprendi o bê-á-bá e comecei a soletrar. E é por causa dela que estou escrevendo e compartilhando o cotidiano do lugar onde vivo. 

 O lugar onde eu deveria estar morando estar sob águas que sobem e dessem com as rajadas do vento. Minha população perdeu seu chão, seu gado e sua história para uma abundante construção. Muitos lastimaram com a mudança de cidade, mas estes tiveram que se aclimar ao perigoso lugar onde iriam morar. Minha Jaguaribara perdeu suas origens: as terras da antiga cidade não eram possuídas por coisas maléficas. Tenho medo de contemplar uma cidade com desemprego, drogas, poluição... Não quero ver um colega entrar no crime por não ter emprego, e em seguida comparecer ao seu velório... Tenho medo de ver à ‘Terra da Luz’ sem raios ensolarados, e de acordar sem vontade de viver.

Francisco Cavalcante de Sousa nasceu no município de Jaguaribe/CE. Concluiu o Ensino Fundamental na escola municipal Humberto de Alencar Castelo Branco, onde estudou durante nove anos. Atualmente cursa o Ensino Médio no Liceu José Furtado de Macedo, em Jaguaribara. Participa de vários conselhos referente ao município e adora escrever crônicas que contem o cotidiano de Jaguaribara, em sua interpretação peculiar.

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